A lenda da guitarra

Dia 1º de setembro de 2017, foi-se a Querência Eterna, um grande gaúcho e brasileiro, conhecido por MÁRIO BARROS, que encantou os palcos do mundo, no toque de seu violão rio-grandense com grande virtuosidade. Natural de Ijuí, veio a furo em 11 de fevereiro de 1945, num parto que imagino durou uma barbaridade, por causa do violão que trazia a meia espalda, que com ele morreu nos braços.

 

Chegou na capital de mala e cuia em 1971, quando ganhou o Segundo Seminário Internacional de Violão Clássico de Porto Alegre, lecionou na Faculdade Palestrina, na Universidade Federal de Passo Fundo, peregrinou o Brasil e o mundo fazendo recitais de violão, solo ou acompanhando orquestras, encantando plateias, por exemplo com José Carreras em seu concerto nas Ruinas de São Miguel. Não limitado ao clássico, tinha muito gosto em tocar com artistas populares do Brasil e regionalistas do Rio Grande do Sul, com quem gravou vários discos e participou dos festivais nativistas gaúchos, sendo em vários eventos, considerado melhor instrumentista e vencedor como compositor de letras e músicas.

 

Eu convivi com o professor Mário Barros, que foi também cantor e apresentador de televisão, que reinou na boemia da capital junto de Plauto Cruz, Lupicínio Rodrigues, Jonsson, Paulo Santana, Tulio Piva e tantos outros como eu, que na década de 80 apeei em Porto Alegre e não demorou para encontra-lo. Era um sujeito, simples, alegre, espirituoso e nobre, estava sempre pronto para encilhar um palco, e encilhamos muitos, como no Show Raça, estreado no Teatro UFRGS em 1983 e que viajou o Estado e tinha no elenco os Gilbertos – Carvalho e Monteiro, Glênio Fagundes, Lúcio Yanel, Mário Barros, Eraci Rocha e eu.

 

Certa feita – Osmar Carvalho, (que vive e foi outro grande amigo, parceiro maior de guitarras em duo com Mário Barros), que vinha semanalmente a minha casa, dar aula de violão ao meu filho mais velho, Antônio Flores Neto. Na chegada meteu a mão no bolso e sacou um papel com uma letra do veterinário poeta Jayme Brum Carlos e disse, toma, musica que eu não consegui e foi dar sua aula. Na volta entrou no meu escritório e indagou: E daí, saiu alguma coisa? Eu disse, puxe o banco e ouça, peguei o violão e cantei lendo, o que intitule de A LENDA DAS GUITARRAS. Na hora Osmar disse, isso é pra Eu e o Mário arranjar e assaltar um festival. Assim foi feito, meses depois, fomos classificados e premiados no festival, Seara da Cação de Carazinho, e Mário Barros ainda ganhou o troféu de melhor instrumentista. Digo isso para me exibir, sim, porque ter subido nos palcos da vida, várias vezes com essa Lenda da Guitarra que foi Mário Barros, será sempre digno de magnifica lembrança em homenagem ao mestre das cordas.

 

Para pensar: Quando chove aqui no pago, o som dos trovejares, são os bordoneios do violão de Mário Barros, no teatro divino!