A revolta que deu certo

Contrariando a vontade de muitos, que por ideologismos ou achismos, dizem que a Farroupilha foi uma guerra perdida, afirmo o contrário: A revolução que virou Guerra dos Farrapos, foi um projeto bem sucedido e sustento examinando apenas duas perguntas e respostas!

 

1) Porque a província do Rio Grande do Sul se insurgiu contra o Império do Brasil? Porque a gauchada não aguentava mais os desmandos da coroa e a falta de respeito com os sulistas, considerados filhos bastardos da Pátria, que estavam apenas a serviço, sem direito algum. Daqui só saia recurso e nada voltava em melhoramento social, logístico, até que a gota d’agua pingou e doeu no coração, na alma e na honra dos gaúchos, quando o império resolveu taxar mais, os impostos do charque rio-grandense do que dos uruguaios, com isso os imperialistas pediram pra levar e levaram!

 

2) Quem venceu belicamente? Quem teve mais vitórias nos embates e os gaúchos, (apesar de terem menos gente e armas), deram uma sova em praticamente todos os enfrentamentos com o exército imperial, tanto que no ano seguinte do início da revolta, pela estonteante vitória da Batalha do Seival, comandada pelo proclamador – Gen. Antônio de Souza Neto, declarou-se fundada a República Rio-grandense, tendo como presidente em exercício o médico – Gomes Jardim e presidente de honra, o Gen. Bento Gonçalves da Silva, que se encontrava detido no Rio de Janeiro.

 

De 20 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845, nossos patrícios tivemos uma década de trabalho duro, nas estâncias as mulheres comandavam e mantiveram estável a economia da nova república, e nos campos de batalha, os homens, garantiram a soberania do pago.

 

Mas como o destino não se muda, e os prejuízos do império se acumulavam, foi ele que alinhavou a Paz de Ponche Verde, Duque de Caxias, trançou com a sapiência de quem faz um laço de oito tentos o fim da peleia entre irmão, atendendo: com igualdade os interesses das partes conflitadas, com liberdade os revoltosos e com humanidade o destino provincial. Ganhando assim os militares farroupilhas as indenizações devida, o Brasil o território perdido, e a sociedade gaúcha, o começo da construção de um Estado pujante, amado e reconhecido por todos, que logo passou ser e ainda é, uma das quatro potências nacional.

 

Qual história teríamos para festejar nos setembros, se não a façanha da vitória de uma estirpe guerreira, audaz, produtiva, libertária de ontem e de hoje, com identidade cultural própria, que não se desfigurou no tempo, que mantém do Quero-quero o grito e a pua, retratando fielmente as rebeldias do Sepé mais guapo, no inconformismo altivo de um Farrapo, com a ingênua pureza de um Charrua, cultuada na Semana Farroupilha.

 

Para pensar: A vitória de um ideal não está só no campo de batalha, está no tempo!