As Cinzas das Almas Farrapas

Hoje a Chama Crioula e os fogões dos acampamentos farroupilhas que não deram trégua, a lenha, as panelas da boia campeira, aos espetos do churrasco, já foram todos extintos, sobrando a cinza como última testemunha do ardente amor da gauchada por este chão, para onde todos ao final como as cinzas iremos nos misturar eternamente, enterrando o esqueleto que um dia foi morada de uma alma farrapa.

Sem explicar o certo, há quem não se anime com essa festança cívica, cultural, talvez de medo da fumaça, provando que nunca estiveram numa peleia a campo fora e se estiveram, fugiram ou morreram no entrevero.

Essa moderna movimentação farroupilha, que há 40 anos tomou a Muito Leal e Valorosa Porto Alegre, vem do interior dos CTGs, da gauchesca mania que se criou em velar a Chama Crioula desde 1947, até que nos setembros, o Rio Grande do Sul virasse temático em comunhão com tudo que nos diz respeito culturalmente, ao que envolve intrinsicamente o tradicionalismo, pelo regionalismo, nativismo, folclore e pela história.

Eu circulei observando atentamente dois, das centenas de acampamentos realizados no Estado, o da Capital e o de Guaíba. Esses já servem como exemplo aos demais de como se cria um produto cultural, turístico, sem receio de dizer que se fosse nos Estado Unidos, o apelo tinha virado filme no setor privado em Hollywood e o evento, um incrementado produto turístico pelo setor público, justificado pelo milionário fomento mercantil de tudo que estivesse ligado ao mote do evento. Aqui no caso, ao ser Gaúcho!

Espero ver ainda um dia essa triangulação funcionar em benefício de todos, tendo os governos Estadual e Municipais, com apoio do setor privado, um projeto perene de sustentabilidade a esse movimentação cultural, que em nada faz mal a nossa economia, a nossa política e a nossa civilidade, muito pelo contrário, a Semana Farroupilha, une e age educando a população, que merece ter algo sadio para se ocupar, protagonizando e divertindo-se, nem que seja uma vez por ano, pois nos demais eventos, o povo está mais para coadjuvante e na maioria como espectador.

Orientando e conscientizando mais os participantes, podemos e devemos nos setembros, chamar o Brasil, a Argentina e o Uruguai, pra cá, fazendo valer o que temos na história, na literatura, nos versos, nas músicas, como nessa – Imagens da Minha Terra, do Leonardo, gravado no disco da primeira Califórnia em 1971, que diz: “Venha, venha, venha ver, O sul deste eu país, Você vai virar criança, Vai ser muito mais feliz, Venha ver o meu Rio Grande, Pegar a terra com a mão, Que iras cantar como eu canto, Com amor no coração”.

Para pensar: Como escreveu Sílvio Genro – “Se os homens da terra, mateassem ao pé do fogo, antes que a erva lavasse, a paz estaria selada”.