Do RIO GRANDE do SUL ao ACRE

Aos que não sabiam, três personalidades, sendo dois gaúchos anexaram o Acre no Brasil em 1902, num evento batizado de Revolução Acreana, (êta lugarzinho de gente braba, foram várias as encrencas de fronteira, por três vezes o território foi declarado independente, pela Bolívia, pelos Seringueiros e pela espanhóis), até que por chumbo e palavra, definiu-se como brasileiro.

 

De fato, o troço vinha atravessado desde 1494, quando do Tratado de Tordesilhas que os portugueses assinaram, deixando dois terços da América do Sul para os espanhóis, tendo que depois correr atrás do prejuízo, sendo salvos pelo gongo no Tratado de Santo Ildefonso, ratificado pelo princípio do direito internacional da uti possidetis ou seja, quem tinha a posse por muitos anos era o dono, caso dos portugueses que nos territórios aonde a Espanha relaxou, eles ocuparam construindo fortalezas, desenhando o mapa atual do Brasil do norte ao sul, numa espécie de usucapião.

 

Lá em 1860 naquela região, as terras que tinham pouco valor, eram habitadas pelos nativos, porém com o avanço industrial automobilístico na América do Norte e na Europa, a borracha vira ouro para milhares de brasileiros e bolivianos, extraírem das seringueiras o látex, em abundancia naquela amazônica área.

 

Em 1867, o Tratado de Ayacunho, delimitou a divisa do Brasil com a Bolívia, o Acre era boliviano, mas em 1880 na região fronteiriça já habitavam mais de 60 mil almas dos dois países. Daí em diante muitas foram as peleias travadas pelo comando territorial acreano, reivindicado inclusive pelo Peru, mas sempre explorado pelos bolivianos que por donos, arrendavam suas terras para quem pagasse mais. Os EUA andaram e ainda andam por lá, como urubus na voltas da carniça pra tirar pedaço, nessa rica terra!

 

Porém na época que se definiram os conflitos de fronteira, o Brasil dispunha de três forças imbatíveis, o veterano da revolução federalista gaúcha, Plácido de Castro em armas e nada mais, nada menos, que o maragato Assis Brasil e o carioca Rio Branco no campo diplomático. Com isso, sem desprezar o heroísmo boliviano, em 1903 pelo Tratado de Petrópolis, o Brasil que libera áreas do Mato Grosso, despeja dois milhões de libras esterlinas e outras benesses para a Bolívia, e acaba levando a melhor, a região vem para o domínio brasileiro, quando o presidente Rodrigues Alves, de pronto nomeia o destemido Plácido de Castro, primeiro presidente do Território do Acre, que virou Estado só em 15 de julho de 1962, no governo de João Goulart.

 

Os nosso três heróis, (dois gaúchos) Plácido de Castro e Assis Brasil, e o Barão do Rio Branco, estão justamente eternizados nas terras acreanas, com nomes de municípios e ruas, das vias também por todo o Brasil.

 

Para pensar: Se enganam os que pensam que o Gaúcho só fez o Sul ser brasileiro, fez o norte e ainda está plantando, para colher em várias épocas e regiões desse Brasil.