Duas Almas Evoluidas

No dia 7 de janeiro, marcou a data de nascimento de duas grandes personalidades da poesia regionalista gaúcha, que nasceram distantes geograficamente em 600 quilômetros, com cinco anos de diferença, mas com a mesma alma poeta gaúcha, sendo o mais velho do Itaqui e o mais novo de General Câmara.

E como manda o costume rio-grandense, que arremeda em muito a cultura militar onde idade é posto, começo a dizer do mais velho que nasceu no Itaqui em 1913, Cyro Alves Gavião, criado na campanha e veio para a Capital, servir como funcionário público estadual, granjeando alta reputação profissional, cultural e social, tanto que é nome de rua em Porto Alegre e de CTG na sua terra natal.

Cyro Gavião, publicou dezenas de poesias dizendo da vida campeira, passeando literariamente da lida a situações de peleias ou de personagens culturais, que por exemplo, destaca nos versos: Blau Nunes, Cabo Juca, Marcação, Meu Laço, Seca Braba, Petiço, Cruz na Estrada e A Última Carreteada, que pelos títulos já se pode imaginar a têmpera do qüera, falecido aos 63 anos, em 24 de dezembro de 1976, abatido por um câncer na laringe.

O mais moço homenageado, veio a furo em 1918 no distrito de Santo Amaro, do município de General Câmara, mesmo lugar onde teve morte trágica com cinco pessoas em naufrágio de um pequeno barco que remava, no meio de um temporal no Rio Jacuí, em 17 de dezembro de 1978, aos 60 anos, já eleito para segundo mandato na Câmara Federal.

Lauro Pereira Rodrigues, era alguém também especial, estudioso, vivia entre o campo e a cidade, estudou em Garibaldi e muito jovem veio para a Poro Alegre, aonde com apenas 17 anos, em 1935, comandou o primeiro programa radiofônico de cultura regionalista, na então Rádio Sociedade Gaúcha, batizado de CAMPEREADA, programa, canal e época em que fez surgir o famoso Pedro Raimundo, autor e cantador de ” …..a Deus Marina que eu já vou embora!”

Político fervoroso, Lauro Rodrigues, além de jornalista, radialista, foi vereador em Porto Alegre, suplente de deputado estadual, cumpriu um mandato de deputado federal e trabalhou como delegado de polícia, delegado de estatística e sensor do Departamento Federal de Segurança Pública. Era popular escritor e poeta, que de 1944 a 78, dentre várias letras musicais, escreveu e publicou: Minuano, Ave Maria, A Ronda dos Sentimentos, Invernada Vazia, Senzala Branca, Canção das Águas Prisioneiras e a conferência intitulada de, A Evolução do Homem e a Decadência da Dignidade, propondo em tudo que escrevia ou falava, fundamentos literário ou poético campeiros, mas com ênfase nos problemas sociais, urbanos e rurais.

Por certo os dois GAÚCHOS, morreram insatisfeitos por não terem avistado o horizonte dos melhores dias que buscamos, mesmo que eles tenham contribuído para isso, nós ainda vamos vivendo a Seca Braba do verso de Gavião e a visionária, Decadência da Dignidade da lavra de Rodrigues.

Para pensar: Mesmo com poesia a vida é dura, e, se não realizarmos a nossa parte da evolução moral, o pior será amanhã quando partirmos!