Não me perguntes onde fica o Alegrete!

Esta lendária cidade que aniversaria em 25 de outubro, (como bem nos lembra a página 296 do Livro Agenda Gaúcha 2018), completa 187 anos de glória.

Mas sua história inicia com o surgimento em 1814, do Povoado dos Aparecidos, nas encostas do Rio Inhanduí, 40 km a oeste do local atual, quando em 16 de junho de 1816 José Artigas e seus índios, peleando por fronteiras da então Provincias Unidas do Rio da Prata, invadem esse povoado da capela Nossa Senhora Aparecida. Felizmente as almas aflitas pela anunciada invasão, já tinham dado os costados no acampamento militar protegido pelo mato e pelo Rio Ibirapuitã, do então Ten. Cel. José de Abreu, a meu juízo quem rigorosamente fundou o Alegrete.

Vejam, Abreu primeiro recebe e alberga os colonos refugiados, na sequência atende a bala e na espada os castelhanos, que não aguentando o repuxo, recuam e se mandam a lá cria pra banda oriental, quando na cruzada pelo Povoado dos Aparecidos, tocam fogo com o intuito de impedir o desenvolvimento regional, rebatizando a localidade com o nome atual de Capela Queimada.

No ano seguinte, em 27 de janeiro de 1817, o comandante do Distrito de Entre Rios – Ten. Cel. José de Abreu, determina que os colonos flagelados construam as casas na coxilha mais seca depois do rio, na margem esquerda, em terras doadas pelo sesmeiro – Antônio José Vargas, (ancestral direto do alegretense Alcy de Vargas Cheuiche), justamente onde Alegrete se desenvolveu, tendo sua elevação para Capela Curada em 1820.

O nome Alegrete do novo povoado, ocorre para homenagear o comandante militar que há época era na província, o representante maior do Rei D. João VI, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o então D. Luís Teles da Silva Caminha e Meneses – quinto Marquês de Alegrete, que nunca esteve no local e apenas deu tardia ordem oficial de construção das primeiras casas, avalizando o que Abreu já tinha providenciado, portanto o que valeu foi a hierarquia, do contrário, a cidade poderia sem demérito ser chamada de – Abreulândia ou Vargaslândia?

José de Abreu, que nasceu em Maldonado/Uruguay, sentia-se gaúcho rio-grandense, sentou praça quando guri e viveu no meio da fumaça, morrendo em 1827, aos 57 anos, de espada em punho na Batalha do Passo do Rosário, tendo já recebido do imperador D. Pedro I, em 1822, o título nobiliário de Barão do Cerro Largo, que foi imortalizado por João Simões Lopes Neto como O Anjo da Vitória, por nunca ter perdido combate, sendo desastrosamente abatido pelo exército imperial comandando por Barbacena, que o confundindo com os inimigos, mandou abrir fogo. Por seus feitos o lendário Abreu, em 1957 virou patrono do Regimento de Cavalaria Blindada alegretense, do Exército Brasileiro, conhecido atualmente como 6º RCB José de Abreu.

Alegrete que foi emancipada em 1831, esteve de 41 a 45 como Capital da República Rio-grandense, pariu grandes nomes da nossa história, que aqui não dá espaço pra nomina-los, mas homenageando a tantos ilustres, cito os do nosso tempo como: Cel. Maurício Nunes de Abreu (herói maragato, tris-neto do Marechal José de Abreu), Oswaldo Aranha, Rui Ramos e Aldo Fagundes (políticos), João da Cunha Vargas e Mário Quintana (poetas), Antônio Augusto da Silva Fagundes e Alcy Cheuiche, (professores, historiadores, escritores, poetas, folcloristas), salientando que o Nico Fagundes, já em Porto Alegre, quando tinha banca advocatícia na década de 80, certa feita seu colega Edson Dutra do grupo Os Serranos, entrando no escritório indagou: Nico onde fica o Alegrete? Já te conto!” Terminando uma petição, Nico trocou de papel na máquina de datilografia e lascou: “Não me perguntes onde fica o Alegrete, segue o rumo do teu próprio coração, cruzarás pela estrada algum ginete e ouvirás toque de gaita e de violão…. Desde então a terra criada de fato por um Abreu, virou dos Fagundes pela famosa obra musical, merecida de todos que igual aos potros, vão virar sua cabeça para o pago no momento de morrer.

Então rendo aqui meu saludo, pelo aniversário e pela consciência gaúcha de identidade cultural os alegretenses do passado e do presente, desejando paz na terra desses homens e mulheres de boa vontade, em especial aos meus pais – Dorotéo Oliveira de Abreu (tataraneto do Anjo da Vitória) e Cecília Fagundes de Abreu, (filha de Cantílho Fagundes e Olga Fagundes Machado, antes da Silva Machado), que vivem no céu do Inhanduí, dois geradores da família Fagundes de Abreu, unindo o passado no presente.

Para pensar: Ninguém fica imune por queimar uma capela, foi desse pecado que Deus presentou o Rio Grande do Sul com o Alegrete!