Os amigos também morrem!

Infelizmente os amigos também morrem no sentido físico, porque espiritualmente, felizmente, já sabemos que não. O escritor argentino, Jorge Luiz Borges, no livro – A Intrusa, deixou uma quadrinha interessante sobre a morte, rimando: O JOÃO IBERRA MORREU, ISSO É MOEDA CORRENTE, POIS MORRER É UM COSTUME, QUE SABE DÁ EM TODA A AGENTE. Realmente, todo mundo morre, dessa ninguém se escapa, o que certifica em “tudo que nasce na vida tem fim”, o Aparício Silva Rillo, versejando ao João Campeiro.

Inda bem que o fim é da vida terrena, (e tem uns ainda que não acreditam), reclamam intensando que ninguém voltou para contar como é no céu ou no inferno.

Claro, quem diz isso, não acredita nem em “si”, muito menos em “dó”, em “sol”…, pois o sol renasce todos os dias e nos serve sem reclamação, e Deus tem “dó” de nós providenciando a que déssemos “ré” revivendo neste plano várias vezes, até aprender que para ficar “lá” no infinito, teremos que passar no vestibular do “fá”-“mi”-lha aqui, e depois se libertar.

Notem que em todos as famílias tem amigos, que lá e antes noutras cruzadas aqui já o eram, porque se não teriam sido, não os encontraríamos das formas mais especiais que existem aparentemente inexplicáveis, o que me faz crer que amigos verdadeiros nós não criamos, nós reencontramos para servir e se servir, sem nada pedir e reclamar.

 

Hoje – dia dois de maio – faz um ano que perdemos um dos nossos, como dizem lá na fronteira, foi-se Mário Barbará Dornelles, cantor, compositor, que reencontrei quando moço em Uruguaiana e de certo não foi por acaso, pois com ele aprendi amar mais a causa regionalista, de cantos em Milongas Tristes ou de Longas Milongas, dos fogos lentos do chão, fugindo do frio e do vento, ouvindo o lamento de muitas paixões. Eu nada mais me pedia, que alegria e vontade, de cantar velhas rancheira, mas só cantei a saudade!

 

Para pensar: Ninguém tem saudade de momentos ruins, lembramos e precisamos esquecer, mas dos amigos devemos lembrar intensamente em dó, ré, mi, fá, sol, lá, envolto de si!