São João acende a fogueira do meu coração

Dia 24 foi o dia de São João, ponto máximo das festividades juninas em homenagem ao festeiro santo cristão, filho de Zacarias e Isabel, que segundo relato da ciência folclórica, conforme combinara, mandou acender uma fogueira na frente da casa, para avisar sua irmã que viesse ajudar no parto de João, que acabou nascendo na noite do dia 24 de junho, 6 meses antes de seu primo, Jesus, quem acabou batizando no rio Jordão, por isso surge o nome João Batista, e por ele ser festeiro, depois de sua morte, o povo cristão passou reverencia-lo em clima de festa, com o ascendimento de fogueira, muita comida, bebida, música e dança em seu dia, evento tão antigo e importante na vida cristã, tanto quanto o Natal.

Sem querer fazer comparação pessoal pelo dia 24, data religiosa cristã, pelo nascimento terreno de João Batista, traçando um paralelo, para nós gaúchos, tradicionalistas, regionalistas, nativistas e do folclore, hoje é um dia especial de reverência, pela morte da matéria e renascimento no mundo espiritual, de Antônio Augusto da Silva Fagundes, o velho e saudoso Nico Fagundes, que há três anos campereia na estância grande do infinito, depois de ter dedicado sua existência, dedicada a cultura regional gaúcha, também como filosofia de vida.

Esse veio a furo em 1934 no Inhanduí, no município do Alegrete, onde os fogos de chão dos galpões ardiam com lenha de angico, lá ele foi guri carroceiro, vendia versos na estação de trem aos viajantes, foi escoteiro, monitor e chefe de tropa, colaborava com a imprensa local, publicando crônicas no jornal e participando de programas de rádio.

Moço feito, poeta dos bons, veio para a capital onde se fez professor, advogado, folclorista, historiador, escritor, antropólogo, cineasta, jornalista, radialista e apresentador de televisão, granjeando uma legião de admiradores, fazendo fama e riqueza material que empregou em pesquisas, filmes, publicações, cavalgadas, na política e em festas, como um São João Batista gaúcho sedimentando o por vir, para que o Rio Grande do seu tempo e de hoje, não perdesse o rumo, certo de que quando trocasse de ponta, ficaria um legado de amor a terra e de liberdade, expresso em sua obra poética, musical, literária e cinematográfica, batizando nossas Origens em verso, assim:

Campeando, um rastro de glória, venho sovado de pealo
Erguendo, a poeira da história, nas patas do meu cavalo…
Com laço, e com boleadeiras, com garrucha, e com facão
Desenhei, pátria e fronteira, pago querência e nação.

Para pensar: Eu sei que não vou morrer / Por que de mim vai ficar / O mundo que eu construí / O meu Rio Grande o meu lar / Campeando as próprias origens / Qualquer guri vai achar! Viva São João e Nico Fagundes!