Um Filósofo Campeiro

A música regionalista gaúcha, em sua história, tem nos brindado grandes personalidades, letristas, músicos, compositores, cantores, que legitimamente expressam o sentimento da alma rio-grandense, contando de forma erudita ou popular, nossa realidade cultural.

É impressionante o rol de servidores dessa corrente artística, que sofreu no tempo preconceito dos literatos, da crítica, pelo único sentido de que não lhe agradavam o estilo, pecando todos em ignorar o que Liev Tolstói, o grande pensador mundial do século vinte, expressou “PINTE SUA ALDEIA QUE ESTARÁS PINTANDO O MUNDO”, bem como, concomitantemente, Cecília Meireles ensinando que “NÃO HÁ NADA MAIS UNIVERSAL DO QUE O REGIONAL”.

Apesar dessas máximas terem sido escritas há tanto tempo e repetidas por aí, uma certa ordem a dormência mental humana, desviou a sociedade moderna dessa verdade, preferindo valorizar as perfumarias do que as essências culturais dos povos.

Mas mesmo contra esses ventos, felizmente nasceram e se criaram aqui, artistas, autores, que não se curvaram a moda, ao consumismo e desenvolveram simplesmente seus sentimentos artísticos autênticos, a revelia dos que apregoavam na tentativa insana, abafar os talentos clássicos ou populares.

Porém uma coisa todos sabemos, que não importa o estilo, arte é arte em qualquer idioma, não interessando o nível intelectual do autor, o que importa e o valor da mensagem e não a estética que os acadêmicos clamam e se perdem nos conceitos burocráticos.

No dia 19 de junho em 1919, veio a furo em Porto Alegre, o revolucionário trovador, cantor e gaiteiro Gildo de Freitas, que enfrenou uma carreira artística cheia de adversidades, porque impunha sua personalidade contra as maldades humanas, através do canto e das atitudes de macho, de homem honrado, de alguém que descobriu cedo seu destino e não fugiu da raia, foi atrás do sonho de liberdade e de vida digna para os humildes, como ele, pregado em trova sua filosofia campeira.

Pelo verso, Gildo disse tudo que sempre pensava e na vida tentou plasmar seu sentimento, deixando um vasto repertório de trovas e canções, onde quem tiver a humildade necessária para ouvi-lo, na singeleza de seus versos, descobrirá o rumo da dignidade e aprenderá por exemplo que, “HOME FEIO SEM CORAGE, NÃO POSSUI MULHER BONITA!

Obrigado gaúcho, por tuas lições de vida revelada no teu canto!

Para pensar: Na obra de Leovegildo José de Freitas, encontra-se os mais puros valores que a nossa sociedade por arrogância já perdeu, Gildo em sua rudeza nos ensina a sermos: gentil, honesto, trabalhador, romântico, corajoso, modesto e espiritualizado.