Um Porto mais Alegre

A SEMANA de PORTO ALEGRE, pelo aniversário dos 247 anos da capital, aconteceu em grande estilo, com programação em vários recantos da cidade. Era janeiro de 1752 quando Cristóvão Pereira de Abreu, chegou no Morro Sant’Anna, nos campos de Jerônimo de Ornelas, escoltando mais outros açorianos vindos da vila de Rio Grande, que em 1763 acabou sendo invadida pelos espanhóis e o que se tinha por capital, foi para Viamão.

Portugueses do continente e açorianos ilhéus, foram os responsáveis da criação da atual cidade, elevada a qualidade de freguesia em 26 de março de 1772, data oficial da fundação sob o nome de Freguesia São Francisco do Porto dos Casais, passando no ano seguinte a denominação de Freguesia da Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre. O governador José Marcelino de Figueiredo, que esteve em dois momentos à frente da capitania por 10 anos, no segundo mandato em 1773 até 1780, ele que já tinha trocado a capital de Rio Grande para Viamão, mudou-se de mala e cuia para a então Porto Alegre, que se desenvolvia a beira do Guaíba, “dizem que ele resolveu isso por ter se enamorado de uma açoriana”, o que nada tem de mal na decisão, pois esse romance só nos beneficiou, a cidade cresceu alegremente a beira de um rio que ficou famoso no mundo, pelo pôr de sol dos mais lindos do planeta.

Os anos passaram e muitos outros também mudaram-se para essa linda cidade, por amor ou para aqui encontra-lo, (é o meu caso que sai de Uruguaiana e vim achar nesta capital minha cara metade em 1980), e muito antes em 1954 aos 19 anos, chegava nesta comuna uma estrela chamada – Antônio Augusto da Silva Fagundes, que viera a furo no Alegrete em 4 de novembro de 1934, e que já tinha sido carroceiro, escoteiro, vendedor de poesias na estação férrea e como vestibulando, aquerenciou-se na cidade grande, com uma mala de garupa recheada de grandes sonhos, realizados, como: professor de inglês, tradicionalista, historiador, folclorista, advogado, antropólogo, poeta, escritor, declamador, ator, cantor, cineasta, jornalista, radialista, pecuarista, apresentador de televisão, sempre gaúcho e brasileiro, acima de tudo, crente na divindade.

Pois não é que no ano passado o visionário Vereador José Freitas do PRB, quis que o filho mimoso do Tio Euclides e da Tia Mocita, Cidadão Benemérito de Porto Alegre, (que tanto amou e fez por esta cidade, que pescou nas águas prateadas do rio, peixes de alimentar o corpo e versos de alimentar a alma, que partiu ao grande oriente eterno em 2015, aos 80 anos), emprestasse seu nome a um lugar na Usina do Gasômetro, aonde as pessoas chegam de visita, para vislumbrarem a cidade passeando nos barcos, agora justamente do ATRACADOURO TURÍTICO NICO FAGUNDES.

Assim, aprovado por unanimidade o projeto na Câmara Municipal em 2018, no dia 24 de março de 2019, ás 10 horas, com uma pequena multidão formada de parentes, amigos e admiradores do homenageado, as cultas oratórias do proponente vereador – José Freitas, de João Fagundes (irmão), Nei Fagundes (primo) e Omair Trindade (amigo), os violões e cantoria regional dos artistas da família, e a centenária Banda da Brigada Militar do Vale dos Sinos, tremeram de emoção as bases da velha chaminé, que ecoou pelo céu e pelo rio, num domingo sagrado, um canto gauchesco e brasileiro que se eternizou nas paredes da usina e na placa descerrada que tem escrita: EU SEI QUE NÃO VOU MORRER, PORQUE DE MIM VAI FICAR, O MUNDO QUE EU CONSTRUÍ, O MEU RIO GRANDE O MEU LAR, CAMPEANDO AS PRÓPRIAS ORIGENS, QUALQUER GURI VAI ACHAR!

Para pensar: Foi o que humildemente a pedido da câmara, sugeri do autor – ilustre cidadão da capital de todos os gaúchos, que gravassem na placa que dá identidade ao lugar, para os andantes, gaudérios, turistas, conhecerem e a nossa capital jamais esquecer, que por seis décadas, uma luz pampiana que agora é no céu, estrela do porto mais alegre do Brasil, viveu neste orbe, cultuando com arte o sol, a lua e as águas do Rio Guaíba, que decerto espelhará a face do poeta em noites claras, mandando embora a saudade que todos sentiremos de ti Nico. Que a paz esteja contigo, meu Primo, Amigo, Irmão!